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IPA, American IPA, Double IPA, NE IPA. Qual a diferença?

English IPA, American IPA, Double IPA ou Imperial IPA, e New England IPA (NE IPA). São tantos estilos dentro de um só que fica difícil saber a diferença entre eles. A verdade é que essas cervejas têm suas características distintas, mas, em comum, todas elas têm MUITO LÚPULO!

E para poder diferenciar todas essas IPAs, a pirmeira dica é saber sobre a história deste estilo de cerveja.

As navegações entre Inglaterra e Índia teriam originado o estilo de cerveja IPA

A História do estilo IPA

Os relatos sobre suas origens variam, mas a maioria concorda que o que mais tarde ficou conhecido como IPA era uma Pale Ale preparada para expedição inglesa rumo à Índia, no final de 1700 e início dos anos 1800.

As cervejas do estilo India Pale Ale (IPA) teriam sido inventadas em 1760, por George Hogdson, da Cervejaria Bow. Este cervejeiro londrino precisava garantir que suas cervejas, que navegavam pelos mares, chegassem em boas condições à Índia, que na época era uma colônia britânica. George teria produzido uma Pale Ale mais forte que o comum e aumentado sua carga de lúpulos. Isto porque a planta tem propriedades bacteriostáticas, que somadas ao teor alcoólico mais potente, garantiam que a longa viagem fosse concluída, sem contaminação do líquido, o que aumentava o tempo de conservação da cerveja.

Oficialmente, a nomenclatura India Pale Ale só surgiu em 1829, quando foi citada em um jornal da também colônia britânica, Sidney, na Austrália. Em solo inglês, só começou a ser mencionada em 1835, quando apareceu pela primeira vez no jornal Liverpoll Mercury.

A intensidade e a popularidade diminuíram com o tempo e o estilo quase desapareceu na segunda metade do século 20. O nome muitas vezes foi usado para descrever cervejas claras e amargas, sem nada de especial (uma tendência que continua em alguns exemplos britânicos modernos). O estilo foi submetido a uma redescoberta da cerveja artesanal na década de 1980, com o movimento craft norte-americano.

Características sensoriais das IPAs

Amargor, amargor e amargor. Esta é a característica comum entre as diferentes IPAs. Este amargor vem do lúpulo, que, além do sabor peculiar, oferece quatro tipos de aromas diferentes: terroso, herbáceo, cítrico e frutado. É por isso, que muitas pessoas que provam uma IPA pela primeira vez têm a impressão de que há fruta na bebida, por conta do aroma, quase sempre reconhecido como aroma de maracujá. 

Lúpulo é uma planta trepadeira que se desenvolve melhor em locais onde o clima é frio

O Lúpulo

O lúpulo é uma planta trepadeira, cultivada em regiões de clima frio e é considerada o tempero da cerveja, ou até mesmo a espinha dorsal da bebida. Mas, não é só o amargor que esse ingrediente traz para o nosso líquido sagrado. Confira aqui as principais curiosidades e características sobre os lúpulos:

  • O lúpulo tem diversas propriedades medicinais, agindo de forma anti-inflamatória e antioxidante, o que auxlia a evitar que as células sofram danos causados ​​pelos radicais livres no corpo. Muitos estudos mostram que os antioxidantes no corpo ajudam a retardar o envelhecimento e evitar o desenvolvimento do câncer.
  • Quando o assunto é fabricação de cerveja, apenas a planta feminina importa, pois é ela quem produz a cobiçada lupulina.
  • O lúpulo pode ser inserido na cerveja em vários formatos: flor, pellets, extrato ou cryo hops (pó de lupulina estraído à frio).
  • Para garantir aroma potente, são escolhidas as variedades ricas em óleos essenciais, que são responsáveis pela riqueza no buquê aromático da receita.
  • Já o tão adorado amargor, é alcançado pelo uso de lúpulos ricos em alfa-ácidos.
  • E nem só de amargor e aroma vivem essas plantas. Os lúpulos têm papel tão importante na cerveja porque, além do sabor, ajudam na estabilidade microbiológica da bebida, o que faz dele um conservante natural.

IBU, o índice de amargor

Não é apenas pelo teor álcoolico (ABV) que pode se mensurar a potência de uma cerveja. Há outras unidades técnicas quantitativas que traçam um raio-x da bebida, entre elas o índice de amargor. 

Em inglês, essa escala é chamada de IBU (International Biterness Unit — Unidade de Amargor Internacional). Quanto maior IBU, mais a cerveja é amarga. Pode se dizer também que a cerveja é mais lupulada, já que o principal responsável pelo amargor de uma cerveja é o lúpulo. Porém este não é o único ingrediente de onde vem esta caratcterística: a torra do malte também pode trazer amargor à cerveja, assim como a intensidade da torra dos grãos de café.

O IBU de uma cerveja é determinado por um cálculo específico feito no momento da fabricação.

De acordo com o Guia de Estilos BJCP (Beer Judge Certification Program) — livro guia de todo o bom sommelier — o amargor de uma IPA pode variar de 40 a incríveis 120. 

Curiosidade: existem cervejas que têm o amargor como maior atrativo, vendidas como “1.000 IBUs”, etc. Porém, de acordo com especialistas, o limite sensorial do paladar humano chega a 100 IBUs. Além disso, na opinião dos fabricantes, quem colocar mais lúpulo do que isso só vai perder, porque o ingrediente simplesmente não se dissolve no mosto, resultando em mais beta-ácidos e névoas de óleo em suspensão, trazendo um sabor final intragável.

O conjunto de técnicas de fabricação, referências culturais e os diferentes estilos são categorizados dentro do que chamamos de “Escolas Cervejeiras”

Escolas Cervejeiras

Escola cervejeira é uma classificação, que pode ser definida, levando em conta as características de produção, estilos e técnicas, realizados em cada região geográfica do mundo. Nesta categorização também são considerados as matérias-primas e tecnologias utilizadas, bem como as legislações locais. 

Atualmente existem quatro escolas cervejeiras no mundo. Cada uma delas representa a identidade e inovação na criação de estilos. A escola mais recente foi a Escola Americana, incluída na década de 1980. Já o conceito de escola cervejeira existe desde a Idade Média.

As quatro escolas cervejeiras são: Escola Alemã, Escola Franco-Belga, Escola Inglesa e Escola Americana. 

Mas, por que estamos falando sobre isso? As diferentes IPAs são originárias de duas escolas cervejeiras diferentes: a Escola Inglesa e a Escola Americana.

Escola Inglesa

Famosa pelas escuras porters e stouts até as lupuladas pale ale e IPAs, a escola cervejeira britânica apresenta uma variedade de estilos; reforça o hábito de frequentar os famosos pubs; e evidencia a paixão dos britânicos pelas cervejas de alta fermentação, as ales.

Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e República da Irlanda fazem parte dessa escola de cervejas que mantém tradições que remontam ao povo celta, passando pelas esposas cervejeiras (alewives), a Revolução Industrial e a Campaign for Real Ales.

Marcada pela tradição, a escola inglesa também é berço de vários estilos popularizados em todo o mundo, além de possuir influência na criação da nova escola cervejeira americana, sobretudo por meio do trabalho de estímulo à produção artesanal. Outro aspecto importante é o modo de consumo dos britânicos, já que a tradição dos pubs faz com que a maior parte da cerveja seja consumida diretamente do barril (como chope), e não engarrafada. São mais de 60 mil pubs espalhados pelo Reino Unido, sendo 53 mil só na Inglaterra.

Escola Americana

A mais jovem entre as quatro escolas cervejeiras é conhecida pelo renascimento da cultura da cerveja artesanal.

O movimento fez com que os Estados Unidos, até então conhecido como lar de grandes grupos cervejeiros que produziam cervejas pouco complexas, se tornasse também referência em experimentação e novidades para o mercado cervejeiro mundial.

Uma forte característica da escola cervejeira americana é a utilização de insumos locais. O país é o segundo maior produtor de lúpulo do mundo, atrás apenas da Alemanha. As variedades cultivadas nos EUA possuem um perfil cítrico, frutado e floral e um aroma que lembra pinho, conferindo intensidade em aromas e sabores para as cervejas.

Além disso, os cervejeiros americanos são entusiastas dos “extremos” e das experimentações: mais lúpulo, mais malte e, até mesmo, mais álcool. A escola americana é notória na mistura não apenas de ingredientes inusitados, mas também na combinação de estilos diferentes entre si.

Os Estados Unidos também são conhecidos pelas técnicas cervejeiras pioneiras e pelo fato de que o movimento causado pela sua “revolução” artesanal se espalhou para várias partes do mundo como Ásia, Austrália e América do Sul.

No início da décade de 80, cervejeiros americanos revisitaram estilos antigos, inciando uma revolução na cerveja artesanal

O movimento craft norte-americano

A retomada da produção de cerveja por pequenos produtores, em regiões fora da tradição secular cervejeira europeia é um movimento que se iniciou nos Estados Unidos e ficou conhecido como movimento craft norte-americano.

O fato marcador de início desse movimento foi a compra da cervejaria Anchor Brewing pelo empresário Fritz Maytag, em 1965, quando a fábrica estava à beira da falência. A partir deste evento, uma série de empreendedores se inspiraram na história da Anchor e passaram a montar suas próprias cervejarias, mudando a história e ajudando a construir o cenário que conhecemos hoje.

O fato mais marcante da história da Escola Americana foi a chamada Lei Seca. Só os fortes sobreviveram neste mercado. Para se ter uma ideia, havia 1.179 cervejarias no país quando a norma foi proclamada em 1920. Quando a lei foi revogada, em 1933, sobraram apenas 703 delas. Nos anos seguintes, com a Segunda Guerra Mundial, a situação ficou ainda mais difícil e a ordem era racionar o abastecimento de grãos. Este é porque do uso de adjuntos como o milho e o arroz.na fabricação de cerveja. O que é completamente aceitável no estilo American Lager.

Superados todos estes momentos, a partir de 1978, é que, de fato, começaram a surgir cervejarias artesanais pioneiras na fabricação de cervejas diferentonas nos Estados Unidos. Era o início da chamada revolução artesanal, que impulsionou o crescimento do mercado não somente nos Estados Unidos, mas influenciou o fortalecimento da cultura cervejeira em outros países. Por isso, definiu a importância da escola cervejeira americana no mundo.

Hoje os Estados Unidos são o segundo maior produtor mundial de cervejas. O Brasil, que aparece no terceiro lugar do ranking, teve seu “boom” da cerveja artesanal entre 2010 e 2019. Durante este período, o número de cervejarias artesanais registradas no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) saltou de 114 para 1,2 mil.

Mas, afinal, qual a diferença entre English IPA, American IPA, Double IPA e New England IPA?

Agora que você já está por dentro de todo o contexto histórico da cerveja IPA, está preparado para conhecer quais são as características que diferenciam as variações English IPA, American IPA, Double e IPA e New England IPA.

A Fuller’s India Pale Ale é fiel à tradição de cervejas do estilo English IPA

O que é uma English IPA?

A English IPA é uma cerveja que se caracteriza por ser uma releitura mais próxima da cerveja que chegava à Índia. Trata-se de uma ale britânica lupulada, moderadamente forte, bem atenuada com um final seco.

A Fuller’s India Pale Ale é fiel à tradição de cervejas deste estilo. É produzida com os excelentes lúpulos ingleses Goldings, Fuggles e Target, e maltes selecionados, que transformam essa cerveja em um clássico no universo cervejeiro. Baixa carbonatação e sabor de malte, evidente no paladar, diferenciam esta variedade de IPA das demais, com caráter mais equilibrado, porém, amargor sobressalente.

O IBU característico de uma English IPA pode variar de 40 a 60.

Acredita-se que a Anchor Liberty Ale, produzida pela primeira vez em 1975 e usando somente lúpulo Cascade, seja a primeira American IPA da história

O que é uma American IPA?

A American IPA é uma American Pale Ale (APA) — versão americana da Pale Ale inglesa — decididamente mais lupulada e amarga, moderadamente forte, apresentando variedades de lúpulos americanos. O lúpulo é grande destaque da cerveja, diferente da English IPA, que apresenta base de maltes tostados. 

Em geral, acredita-se que o primeiro exemplo desta cerveja artesanal americana moderna seja a Anchor Liberty Ale, produzida pela primeira vez em 1975 e usando somente lúpulo Cascade.  Hoje esta cerveja parece muito mais com uma APA, pela evolução da tecnologia, conhecimento e combinação de ingredientes.

 Comparada a uma English IPA tem menos do caráter “Inglês” de malte, lúpulo e levedura (menos caramelo, pão e tostado); mais lúpulos americanos, menos corpo e, a maioria, com um balanço mais lupulado, mais forte do que a maioria exemplos ingleses. Tem menos álcool do que uma Double IPA, mas com um balanço semelhante.

O IBU de uma American IPA pode variar de 40 a 70.

A nacional Barco Head Shot é um exemplo de cerveja Double IPA, com IBU 100

O que é uma Double IPA ou Imperial IPA?

A Double IPA é uma Pale Ale bastante forte, intensamente lupulada, sem o grande, rico e complexo maltado, dulçor residual. Trata-se de uma cerveja fortemente lupulada, mas limpa, seca e sem aspereza. Uma vitrine para os lúpulos, com considerável drinkability.

Já o adjetivo “double” vem simplesmente por tratar-se de uma versão mais forte de uma IPA; “Imperial”, “Extreme”, ou qualquer outra variedade de adjetivos seria igualmente válida, embora o mercado americano moderno parece ter acordado momentaneamente pelo termo “Double”.

Uma inovação de cerveja artesanal americana desenvolvido pela primeira vez no final da década de 1990, refletindo a tendência dos cervejeiros artesanais americanos de “ultrapassar os limites” para satisfazer as necessidades dos aficionados por lúpulos e por produtos cada vez mais intensos. 

Tornou-se mais comum e popular em toda a década de 2000 a 2010, e inspirou ainda mais a criatividade das IPAs.

Mais robusta do que qualquer English IPA ou American IPA na força de álcool e nível de lúpulos, pode apresentar IBUs de 60 a120.

As New England IPAs possuem corpo aveludado e coloração amarela. Têm aparência turva e são extremamente aromáticas.

O que é uma New England IPA ou Juicy IPA?

Mais modernas do momento, as cervejas do estilo New England IPA nasceram na Nova Inglaterra, região localizada no nordeste dos Estados Unidos, onde ficam os estados de Connecticut, Maine, Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island e Vermont.  E foi justamente em Vermont que o primeiro exemplar de uma Juicy IPA ou New England IPA foi produzido.

A Cervejaria The Alchemist, fundada em 2003 é especialista em “ipas frescas”. Sua principal cerveja, a Heady Topper, criação do cervejeiro John Kimmiché, é a primogênita do estilo, e nasceu da necessidade de se fazer uma Double IPA ainda mais lupulada.

Portanto, o que a difere uma NE IPA de uma IPA tradicional são sabores e aromas muito mais intensos, corpo macio e aveludado na boca, além de uma coloração amerela de aparência opaca. O amargor em si é mais suave, porém os sabores e aromas são muito mais intensos e extremos, remetendo a frutas tropicais, emprestando um caráter “suculento”, no sentido de beber um suco de frutas maduras e frescas, daí vem o nome Juicy IPA.

A adição de cereais não maltados, com alto teor de proteínas como trigo, aveia e centeio também fazem parte deste estilo. Eles servem para deixar o corpo cheio e aveludado, suficientemente potente para suportar a alta carga de lúpulos. Alguns exemplares têm cerca de 30 gramas de lúpulo por litro.

IPAs diferentes, mas todas lupuladas

Uma das características que une as diferentes IPAs no mesmo balaio é o perfil intensamente lupulado. Algumas mais tímidas, outras mais intensas e outras mais delicadas, todas elas apresentam lúpulos em primeiro plano, com força total, seja no sabor, ou no aroma. E a criatividade é uma característica fundamental da produção de cervejas artesanais – todos os estilos estão em constante mutação, adaptação, evolução.

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